quinta-feira, 4 de junho de 2015

Comunicado

Prezada leitora, prezado leitor,
comunico que este blog será descontinuado.
Em breve, pretendo, um novo blog, melhor estruturado e mais completo surgirá.
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domingo, 29 de março de 2015

Nota: Anticoncepção hormonal e trombose

escrito por Bruno Ramalho de Carvalho

A cada 10.000 mulheres com menos de 30 anos de idade e que não usam anticoncepcionais hormonais, uma ou duas serão vítimas de trombose venosa. Nada de novo, é o número que obtemos da literatura médica. 1 A trombose venosa como um efeito adverso do uso de anticoncepcionais hormonais combinados, independentemente da via de administração, da mesma forma, não é uma novidade. Entretanto, as matérias da imprensa leiga, como a que vimos ser divulgada ontem, insistem em muito alarmar e pouco acrescentar. Normalmente, causam grande comoção popular, dúvidas e inseguranças. Demandas inesperadas, desnecessárias em sua maioria, lotam os consultórios ginecológicos nos dias que a elas se seguem.
Na época do acesso universal e sem limites à informação, é preciso trazer ao público evidências científicas, números, dados concretos. Há cerca de seis anos, o estudo holandês MEGA (do Inglês, Multiple environmental and genetic assessment of risk factors for venous thrombosis-study) determinou que mulheres usuárias de anticoncepcionais combinados contendo o progestagênio levonorgestrel tinham risco de trombose venosa aproximadamente quatro vezes maior que o estimado para não usuárias. Para as combinações contendo gestodeno, desogestrel, ciproterona e drospirenona, os riscos foram semelhantes, de cerca de seis a sete vezes em relação ao esperado para mulheres que não utilizavam anticoncepcionais. 2
Em seguida ao estudo MEGA, um grande estudo da Dinamarca, com cerca de 1.200.000 mulheres, mostrou números muito próximos ao par holandês e foi muito importante também por reforçar que os anticoncepcionais contendo progestagênios isolados não aumentavam risco de trombose. Ainda, os cálculos dinamarqueses destacaram-se principalmente por terem esclarecido que, para redução de um evento tromboembólico por ano, seria necessário que duas mil usuárias de anticoncepcionais substituíssem sua combinação por uma contendo levonorgestrel. 3
Dito isso, cabe ressaltar que antes de prescrever um contraceptivo hormonal, como para qualquer medicamento, o médico deve ser cauteloso. Especificamente, devem ser pesquisados, principalmente, antecedentes de trombose venosa pessoal ou em parente de primeiro grau, obesidade, tabagismo, alterações da glicemia ou do colesterol, e varizes. É importante considerar tais fatores, mas, ao fazê-lo, também é fundamental saber que pelo menos metade dos casos de trombose permanecerá sem uma causa determinada. Dessa forma, o tão comentado rastreamento de trombofilias antes da prescrição do anticoncepcional hormonal combinado não se justifica como rotina, tão pouco é custo-efetivo. 1 Pesquisar essas doenças pode estar justificado em pacientes com casos familiares conhecidos de algumas deficiências ou mutações genéticas, desde que haja intenção de uso de anticoncepcionais ou de gravidez. 4 Cabe dizer, contudo, que mesmo neste universo de pessoas, ainda persistem dúvidas sobre os pesos da relação entre riscos e eventuais benefícios do uso de anticoncepcionais, 5 e pode ser a melhor estratégia individualizar os casos para definir condutas.
Como orientar as mulheres, então? Sem sombra de dúvida, devemos apresentar a cada interessada em usar o anticoncepcional seus riscos e benefícios, de forma personalizada. Considerando-se que as trombofilias estão presentes em grande minoria da população, o risco da trombose não deve ser ignorado, mas nivelado à realidade, evitando que os casos de exceção sejam adotados como regra. Adotando conduta pautada nas evidências científicas, certamente estaremos dentro das fronteiras da cautela, sem deixarmos que se banalizem os malefícios de uma gravidez indesejada – lembrando que a gravidez por si carrega risco de  trombose  muito superior ao oferecido por qualquer formulação anticoncepcional disponível no mercado.
Por fim, na dúvida sobre o risco de trombose, o médico terá à mão os anticoncepcionais com progestagênios isolados ou os métodos não-hormonais, que hoje oferecem segurança suficiente para que o acesso ao planejamento reprodutivo seja amplo e eficaz.

Referências consultadas:[1] Braga GC, Vieira CS. Contracepção hormonal e tromboembolismo. Brasília Médica 2013; 50(1).
[2] van Hylckama Vlieg A, Helmerhorst FM, Vandenbroucke JP, Doggen CJ, Rosendaal FR. The venous thrombotic risk of oral contraceptives, effects of oestrogen dose and progestogen type: results of the MEGA case-control study. BMJ. 2009;339:b2921.
[3] Lidegaard Ø, Nielsen LH, Skovlund CW, Skjeldestad FE, Løkkegaard E. Risk of venous thromboembolism from use of oral contraceptives containing different progestogens and oestrogen doses: Danish cohort study, 2001-9. BMJ. 2011;343:d6423.
[4] Middeldorp S. Is thrombophilia testing useful? CONSULTATIVE HEMATOLOGY I: COMMON QUESTIONS IN THROMBOSIS CONSULT. Hematology 2011: 150-5. 
[5] Bates SM. The risks of informed decision-making. Blood 2011; 118(8): 2030-1.

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2015

Resolução CFM 2.116/2015

O Conselho Federal de Medicina, pela Resolução 2.116/2015, reconheceu a Reprodução Assistida como uma área de atuação da Ginecologia. Foi um ganho significativo para a especialidade e para os casais com dificuldades reprodutivas, que em breve poderão ser atendidos por profissionais devidamente titulados. O documento foi publicado no Diário Oficial da União de 04/02/2015.

terça-feira, 9 de dezembro de 2014

Sobre a saúde das crianças concebidas in vitro

A interferência das técnicas de fertilização in vitro (FIV) sobre a saúde das crianças assim concebidas sempre merecerá a minha atenção. pelas evidências atuais, ao meu ver, os casais submetidos a tratamentos bem sucedidos devem ser tranqüilizados, principalmente quando estivermos diante de gestações de bebês únicos e não prematuros. É bem sabido que gestações múltiplas são as principais causas de parto prematuro, baixo peso ao nascimento e mortalidade de recém-nascidos após tratamentos de alta complexidade, na proporção do número de embriões transferidos ao útero da mulher. Felizmente, isso tem se resolvido pela transferência eletiva de um ou dois embriões, sem prejuízo das taxas de sucesso.
Problemas genéticos e epigenéticos, e defeitos congênitos podem, de fato, ser mais frequentes entre crianças concebidas pelas técnicas de reprodução assistida, mas, para muitos pesquisadores, a infertilidade em si estaria mais relacionada à saúde da prole que o seu tratamento. É perfeitamente aceitável, assim, a hipótese de que crianças concebidas in vitro oriundas de pacientes não necessariamente inférteis (por exemplo, de óvulos congelados por motivação social, de uniões homoafetivas ou de pacientes sobreviventes ao câncer) tenham evoluções distintas e ainda não exploradas.
Havendo preocupações, os defeitos congênitos, sem dúvida, figuram entre as principais. Na prática, contudo, a estimativa do risco é relativamente tranquilizadora. Minha leitura de dados da literatura é a seguinte: no Brasil, em que a prevalência de malformações congênitas é de aproximadamente 0,8% entre os nascidos vivos, a cada dez mil nascimentos de crianças concebidas espontaneamente teríamos até 80 acometidas; a cada dez mil brasileiros concebidos por FIV, seriam 84 os acometidos.

Entenda a infertilidade conjugal



ENTENDA A INFERTILIDADE CONJUGAL é minha nova página no FACEBOOK, que pode ser acessada pelo link: https://www.facebook.com/entendainfertilidade. Aguardo visitas!

quarta-feira, 26 de novembro de 2014

Sobre o termo MEDICALIZAÇÃO da postagem anterior...

A respeito do uso que fiz da expressão "medicalização", acho que vale à pena fazer um adendo. Antecipo que não sou estudioso de Illich ou Foucault, mas apenas um curioso. Dessa forma, se alguém identificar alguma bobagem, por favor, faça o alerta... É preciso que tenhamos cuidado ao exercer a medicina, pois tendemos a querer nos apossar de processos naturais da vida humana, como a gravidez, o que pode caracterizar, entre outros aspectos, o que se denomina medicalização social (vale ler Gaudenzi e Ortega, 2011). Pois bem, descreve-se uma modalidade de medicalização dita "por expansão diagnóstica", pela qual se transforma em doença uma situação natural. De acordo com Illich (1975), o controle social pelo diagnóstico seria uma forma de iatrogenia social, como ocorre com as mulheres (e a sociedade), que passam a considerar natural a necessidade de intervenções médicas unicamente pelo fato de estarem grávidas...

sábado, 22 de novembro de 2014

Gravidez não é doença

Gravidez não é doença. Ponto final. Doenças podem acompanhá-la ou por ela se agravar, mas a gravidez em si não é doença. É preciso que se pare de fazê-la parecer um problema, pois, ao contrário, sua ocorrência normalmente sinaliza que não existem problemas ou que os existentes podem ser menores do que pensamos, ou, ainda, que os que existiam foram momentaneamente solucionados. Como profissional atuante em reprodução humana e com a intenção de dedicar-me a essa especialidade integralmente nos próximos anos, registro a minha opinião (e o pensamento que desejo aos que continuarão na nobre missão obstétrica). Por fim, confesso que ultimamente minha tolerância à medicalização tem tangenciado o zero.